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Wednesday, June 13, 2012

Diário Visual - 13 de Junho de 2012

Olivia Wilde. Inspiração física para uma das personagens do conto de estou a trabalhar . Decidi mudar a etnia, mas a base continua a ser ela. A personagem será apenas utilizada para este conto? Ainda não sei... 

A temática sensualidade/instintos primordiais de vampiros a alimentarem-se não é exactamente nova, por isso torna-se difícil dar-lhe um cunho pessoal.

Tuesday, June 5, 2012

Conto: "Dança do Corvo (6ª parte) – Entre velhos amigos"


   A única coisa que Hayato, como todos os da sua espécie, odiava mais que caminhar em vez de voar, era ter um tecto sobre a cabeça. Espaços fechados eram para vermes, seres que não conheciam a glória e liberdade de planar pelos céus. Excepto durante tempestades, escolhia sempre estar ao ar livre, por isso a pequena celebração que mandara preparar para Eleanora ocorrera sob as estrelas e a Lua. Nada de muito elaborado, pois o velho tenguera um guerreiro simples, pouco dado a luxos. Apenas uma toalha vermelha, numa clareira limpa, sobre a qual fora colocada uma mesa baixa, com sake e sushi, enquanto, para a vampira, fora reservada uma bela e pálida mulher, de longos cabelos negros, vestida apenas com um fino quimono íntimo, branco como a mais pura das neves.
            
   A refeição aproxima-se do fim. Hayato, sentado na toalha, de pernas cruzadas debaixo do corpo, fuma o seu delgado e longo cachimbo, lançando anéis de fumo, enquanto Sora e Shou levam a mortal drenada pela vampira. Apesar de completamente desidratada, a sua expressão é tranquila, como se tivesse adormecido pacificamente, para nunca mais acordar.
            
   O velho tengu vê Eleanora repor o haori negro desprovido de emblemas sobre o ombro, cobrindo o braço decepado. Levará tempo, mas voltará a crescer. Ela afirma-o e ele sabe que assim é, lembrando-se perfeitamente da noite, há quase 30 anos, em que lhe cortara um braço e quase a matara. Trocar o privilégio de caminhar sob o sol por imortalidade, a capacidade de curar feridas num piscar de olhos e insensibilidade à dor, parecia um bom negócio a Hayato. Pudesse a sua espécie executar tal transformação e ele não hesitaria, por impuros que os vampiros fossem considerados pelos yokai.
            
   Foram tais poderes que deram a vitória à vampira, embora de pouco lhe tivessem servido no passado. Hayato e Eleanora tinham o mesmo peso e força muscular, mas a velocidade superior dele tê-la-ia fulminado se ela não usasse o próprio braço com escudo, abrandando o golpe da katana do tengu por uma fracção de tempo, tão pequena que era impossível de medir. Um batimento de coração. Um piscar de olhos. Quantas vezes a vida de um guerreiro era decidida nessas meras fracções?
            
   “Um bom combate” pensa Hayato, sorrindo com o cachimbo nos lábios, lamentando apenas não poder repetir a experiência tão cedo.
            
   - Ajuda este velho tolo a entender, Eleanora-chan – pede, afastando o cachimbo e voltando o rosto para os lábios da convidada, pintados com sangue fresco. – Decides colocar pé nestas terras numa época em que a tua presença é ilegal, tanto pela lei humana como yokai. Sofres e passas todas as nossas provas pelo direito a ficar, recebendo dos yokai o salvo-conduto que te permite caminhar entre nós. Privilégio conquistado por poucos Ocultos, devo acrescentar. Escapas também à justiça humana, para a qual eras um alvo tão fácil, com os teus cabelos louros e redondos olhos claros, tão vincadamente estrangeiros. Mantiveste-te entre nós durante os turbulentos dias do fim da Era Tokugawa. Agora, com sakoku abolida há quase vinte anos, em que o teu aspecto já não é motivo para perseguição humana e que a Bakumatsu acabou, dando-nos algo parecido com paz, é que desejas partir? Sei que esta Era Meiji ainda tem muito que provar, mas já estiveste ao nosso lado durante pior.
            
   - Hayato-san – retorque, acariciando a bainha negra da sua katana desprovida de guarda, que lhe jazia junto ao joelhos – se é verdade que uma parte de mim deseja ficar e que os dias que se avizinham aparentem ser mais pacíficos que os anteriores, especialmente para uma Oculta estrangeira, também é inegável que, com o fim da Guerra do Ano do Dragão, os yokai se vêem, cada vez mais, obrigados a tomar importantes decisões sobre o seu lugar no mundo dos homens. Tokugawa acabou. Bom ou mau, o tempo dos Meiji não será igual.
            
   Hayato sabia-o bem. A abertura aos estrangeiros, que ele defendera como uma das razões para Eleanora permanecer, obrigara, e ainda obrigava, a mudar séculos de tradicional interacção entre os yokaie os humanos daquele país. Ao contrário dos oni, cuja tolerância e colaboração com os humanos variavam de indivíduo para indivíduo, durante séculos os tengutinham lutado lado a lado com os samurais, aliando-se aos clãs dos senhores feudais que conquistavam o seu respeito. Agora, com a queda da nobreza feudal, erguiam-se vozes dissonantes. Alguns defendiam que deviam retirar-se completamente do mundo humano, procurando refúgio nas suas aldeias nas montanhas, tal como, segundo as lendas, os seus parentes do continente fizeram, há milénios atrás. Outros afirmavam que o melhor seria camuflarem-se na sociedade humana, tal como alguns Ocultos ocidentais. Eleanora tinha razão, cada espécie, cada indivíduo, teria de escolher como enfrentar aquele mundo em mudanças.


Sunday, June 3, 2012

Conto: "Dança do Corvo (4ª parte) – No fio da lâmina"


   Os dedos magros, sólidos e providos de garras da mão direita de Hayato mantém-se em redor do punho da katana, que nem ao ser arremessado largou, a sua expressão de ave de rapina tão acutilante como o gume da ancestral lâmina. A pele vermelha é coberta por um quimono cinzento, folgado, de tecido barato, com aberturas nas costas para as asas, e por uma tanga larga, diante da qual se encontra um grande pedaço de tecido rectangular que se alonga até aos joelhos, no qual está pintado o kanji para corvo, o emblema do seu esquadrão. No solo, as suas asas, com penas negras e brancas, parecem desgrenhadas, velhas e decadentes, tendo uma penugem mais própria para um espanador do que para um nobre tengu, porém, no ar são transformadas pela graciosidade de um voo capaz de fazer cisnes parecerem desajeitados.
            
   - Kenji-kun treinou-te bem, Eleanora-chan – elogia o ancião, tenso apesar do tratamento informal. O seu rosto vermelho, ladeado por orelhas bicudas, era iluminado pelo luar, enquanto os guerreiros em redor se mantinham na escuridão.
            
   - Akio-sensei foi apenas um de muitos cuja sabedoria abençoou esta humilde estudante, Hayato-sama – afirma, fazendo uma respeitosa vénia, sem tirar os olhos do yokai ou embainhar a espada, bem consciente da proximidade de Shou e da letal lâmina curva da naginata dividida. – As suas bondosas palavras honram-me e às suas ilustres casas.
            
   - Agrada-me saber que ensinar o seu estouvado avô não foi tempo perdido – confessa, flectindo as asas com aparente indiferença. – Contudo, desde os dias que Ichimaru-kun subiu a montanha em busca da sabedoria tengu na arte da espada, que ninguém da sua nobre casa conseguiu voar tão alto.
            
   - Não tenho o privilégio de pertencer a tão nobre casa – alega, compreendendo bem o rumo da conversa e o que estava em causa, mesmo sem estar segura do resultado. Hayato era um guerreiro nobre e sábio, mas também orgulhoso e, pelo que constava, a idade tornara-o temperamental e instável.
            
   - O que não te impediu de não só derrotar, como poupar um velho tolo – acusa o ancião, amargura bem patente na voz.
            
   Aí reside o cerne da questão. Os guerreiros de Hayato vivem por um conjunto regras de conduta reduzidas em número, mas abrangentes em efeito, entre as quais tomam primazia a honra, a abnegação perante a morte e a ferocidade em combate. A arte da guerra era levada muito a sério e, mesmo em sessões de treino como aquela, cada ataque era feito com intento de matar. Embora os guerreiros mais jovens, como Shou, ainda tivessem dificuldade em abraçar a noção, a morte de um camarada de armas, mesmo às mãos de um aliado, por algo tão banal como um treino, não era motivo para tristeza, raiva ou culpa, pois a preparação para a batalha tomava precedente face a tudo o resto. Vida era insignificante perante a honra. O facto de Eleanora não só ter conseguido vencer Hayato, como tido o sangue frio para, em pleno ataque, golpeá-lo com o lado rombo da katana e não com o gume, provava a sua superioridade a um ponto que o mestre consideraria humilhante. Um guerreiro orgulhoso como o velho tengupreferiria a honra do golpe fatal, à clemência e agora, mantendo-se diante dela, em digno silêncio, exigia saber o porquê da atitude.
            
   No ver da vampira, qualquer que fosse a sua resposta, só poderiam existir dois possíveis resultados, Hayato insistiria no combate, pretendendo limpar a humilhação com sangue, qualquer que fosse a sua fonte, ou dar-lhe-ia a honra de requerer a sua ajuda durante o ritual de seppuku. Embora não desejasse decapitá-lo enquanto ele se esventrava, também não arriscaria ofendê-lo, ainda mais, recusando. Não desejava a morte do velho tengu… A única esperança residia nas suas palavras poderem criar uma terceira alternativa.

Saturday, June 2, 2012

Conto: "Dança do Corvo (3ª parte) – A queda"


   Shou pisca os olhos e o combate entre a vampira e velho tengu termina, tão rápido que apenas os danos provam que ocorreu de todo. Um braço é decepado por entre uma nuvem de sangue, convertendo-se em osso e depois em pó antes de cair no chão, sofrendo numa fracção de segundo a decomposição que lhe fora negada durante séculos pelos poderes da filha da noite. O sangue no coto estanca quase de imediato, enquanto os farrapos ensanguentados da manga esvoaçam em redor. Regenerando perante o olhar de todos, uma linha vermelha rasga a garganta de Eleanora de lado a lado, indicando que o fim não estivera longe, contudo, é o seu inimigo que jaz a vários metros de distância, arremessado pelo impacto do golpe.
        
   - Sensei!
    
   - Hayato-sama!
   
   Aflitos, os yokai voadores confluem sobre o mestre caído, ignorando a adversária. Apenas Shou, o mais novo, solta um clamor de fúria e dor, lançando-se sobre Eleanora, num suicida voo picado, naginata em punho. A vampira mal tem tempo de se voltar para enfrentar a investida, antes de ser abalroada. Os adversários rebolam pelo chão, por entre folhas secas e poeira. Quando se afastam, preparando o ataque seguinte, a arma do tenguestá cortada ao meio e a filha da noite é obrigada a regenerar outra ferida no pescoço. Mais dois ou três centímetros teria sofrido uma decapitação e com ela a derradeira morte…

   Sem perder tempo, o tengu atira as asas de penas castanhas em frente, utilizando-as como uma espécie de capa para cobrir as mãos e os fragmentos da arma dividida. A técnica visava esconder a direcção do ataque que executaria com as armas improvisadas, estratégia que não funcionaria tão bem contra alguém que podia ver sangue através de objectos sólidos…

   Shou prepara-se, Eleanora segura a katanacom firmeza, usando apenas uma mão, posicionando-a num ângulo em que o seu próprio corpo a esconde do adversário, e lançam-se um sobre o outro.

   - PAREM!
   
   O grito em japonês que ecoa pela noite não é um apelo desesperado, mas uma ordem férrea, proferida por uma voz habituada a ser obedecida. Sem magia para além da autoridade e respeito que o portador inspira, a palavra suspende os adversários em pleno ataque, impedindo-os de cortarem a garganta um ao outro.
   
   - Hayato-jijii? – pergunta Shou, chocado, sem afastar do pescoço da vampira a lâmina curva da naginata partida.
   
   Ombreado pelos yokai mais novos, o velho tengu ergue-se sobre as próprias pernas, os seus pés bifurcados, cada um dos quais providos de duas garras aquilinas à frente e uma atrás, cravados no solo. Mantinha a habitual dignidade e autoridade, apesar dos cabelos, normalmente presos no topo da cabeça, caírem soltos pelo rosto e de ter folhas mortas na triangular barba branca que lhe desce até ao peito, onde, surpreendentemente, apenas espreita um hematoma por entre o meio aberto e largo quimono cinzento, em vez do rasgão sangrento que o golpe da vampira deveria ter deixado.
   
   - Shou-kun – diz o ancião, dando a entender que o jovem devia baixar a arma e afastar-se da vampira.
   
   O mais jovem dos yokai demora a cumprir a ordem, tendo dificuldade em lidar com a mistura de raiva, orgulho, alívio e surpresa que experiencia.
   
   - Puff! – solta, ao recuar e colocar descontraidamente ao ombro a ponta provida de lâmina da arma cortada, rasgando um sorriso trocista para simular indiferença e procurar esconder aquilo que sente. – Parece que afinal, Shisho-jijii não foi abatido, só tropeçou.
   
   Um dos outros yokai pretende repreender Shou pela rudeza, mas Hayato, habituado a ela e dando-lhe pouca importância, impede-o, voltando os olhos negros e longo nariz aduncado para a vampira. Eleanora baixa a katana e retribui o olhar, como se não existisse mais ninguém no mundo senão ela, aquele humanóide alado, de pele vermelha, e uma tensão de cortar à faca entre eles. Embora não parecesse, a batalha ainda não terminara…            



Friday, June 1, 2012

Conto: "Dança do Corvo (2ª parte) – O mais poderoso"


   Disparadas da segurança da copa das árvores, pelos assimétricos yumi dos tengu, com uma força impossível a qualquer arco de fabrico humano, as flechas não só são extremamente rápidas, como invisíveis ao Pulsar. Felizmente, os ouvidos de Eleanora foram treinados para detectar o menor sinal de disparo e os seus reflexos são sobrenaturais. Desvia-se do primeiro projéctil, que se vai espetar no solo remexido, e move-se ligeiramente para levar com o segundo no peito em vez do ombro. Consciente que uma flecha nas articulações lhe toldará os movimentos, tornando-a um alvo fácil, dá-se ao trabalho de fugir de projécteis que não a podem matar ou sequer provocar dor.        
   
   As vagas de ataques tornam-se mais intensas, obrigando-a a mover-se freneticamente em redor, saltando, rodando sobre si mesma e rebolando pelo chão, por entre uma cacofonia de metal a cantar de encontro a metal. Nem todos os golpes são desviados ou aparados, cortes nas vestes e pele multiplicam-se. Onde outros contemplariam uma situação cada vez mais desesperada, Eleanora vê oportunidades. Três soldados de infantaria, dois arqueiros, cinco atacantes, ou seja, muitas falhas na rede. E estavam a ficar cada vez mais descuidados… 
   
   Eleanora volta a atirar-se ao chão, rebolando para o lado e aproveitando para agarrar um punhado de terra, que lança ao tengumais próximo, ao levantar-se, fazendo-o falhar o ataque e quase não conseguir defender o contra-ataque. O tengu da katana afasta-se, executando um voo muito mais largo do que o habitual, enquanto esfrega os olhos. Ao mesmo tempo, a vampira desvia-se de uma investida e corta a ponta da lança do adversário seguinte, que é forçado a uma manobra de emergência para evitar despenhar-se. O terceiro yokai quase lhe arranca a katana das mãos com a naginata, mas as suas forças acabam por provar-se demasiado equilibradas para uma se sobrepor à outra.
   
   Recebendo mais duas flechas nas costas, enquanto vê os inimigos voarem para longe, de modo a ganharem balanço para as investidas seguintes, Eleanora não se sente aliviada com as tréguas, pois sabe que ainda lhe falta enfrentar o mais velho, perigoso e poderoso dos yokai voadores. Ele encontra-se perto, nas sombras, à espera da altura certa para atacar…
   
   Todos eles eram fulminantemente rápidos e furtivos, mas Hayato fazia os demais parecerem folhas a cair com indolência numa brisa outonal. Ao senti-lo aproximar-se por trás, atacando de um ângulo impossível, Eleanora apenas tem tempo de tirar a mão esquerda da katana enquanto se vira. Um golpe. Tudo ou nada, num único movimento. Sem espaço para errar.  


Thursday, May 31, 2012

Conto: "Dança do Corvo (1ª parte) - Asas na escuridão"

   O vento desliza pelos ramos, fazendo estalar as folhas ao luar. Pés pequenos, envoltos em waraji esmagam o solo amolecido pela chuva, ao adoptarem uma posição sólida, em preparação para a batalha. Uma mão pálida, aparentemente delicada, ergue-se para agarrar a bainha negra à cintura, atada com firmeza de encontro ao hakama, enquanto outra atravessa diante da barriga, pousando sobre o punho da katana desprovida de guarda.

   Entre árvores milenares, cuja altura parece desafiar o Céu, envolta em sombras que enegrecem a sua palidez sobrenatural, está uma pequena guerreira loura de feições cheias, quase angelicais. Os seus olhos azul-esverdeados brilham a cada mudança de luz.

   O silêncio e o negrume escondem uma paz falsa. Ela sabe que não está sozinha. Sente o bater dos corações e, pelo canto do olho, consegue ver os inimigos moverem-se entre as copas. À distância que estão, o sangue que lhes corre nas veias, que devia ser para ela como fogo na escuridão, não passa de uma faísca fugaz. Conhecendo bem a rapidez dos adversários, a filha da noite não se deixa enganar pela ilusória segurança que o espaço entre eles proporciona.

   Procurando suprimir o nervosismo, a vampira passa a língua pelos caninos. Nesse exacto momento, um dos corações bate mais depressa, fazendo-a virar para o atacante, que voa na sua direcção, batendo as asas ruidosamente, naginata em mãos.
 
   “É uma distracção” apercebe-se, sacando da espada e preparando-se para atacar o outro inimigo que plana na sua direcção, vindo de trás. Vê-o, ficando impressionada por constatar que se encontra tão relaxado, que o coração bate como se estivesse sentado a beber chá e não no coração de uma batalha. Não fosse pela sua experiência, a vampira nunca o teria sentido aproximar-se. Infelizmente, também ele era um engodo.

   Mesmo com Pulsar, Eleanora quase não detecta a tempo um tengu que cai do céu em voo picado, directamente sobre a sua cabeça, qual falcão-peregrino a tomar partido do ângulo morto, sendo apenas graças aos seus reflexos sobrenaturais que consegue evitar ser empalada pela longa lança. Desviada pela katana, a lâmina dupla da lança limita-se a rasgar de alto a baixo a manga esquerda do quimono masculino, enquanto Eleanora recua, saindo do caminho do Oculto voador, na esperança que ele se despenhe ao falhar o alvo. Demonstrando uma incrível perícia física e agilidade mental, o yokaivoador recupera de imediato, planado graciosamente para longe, sem sequer tocar no chão. A vampira sente as penas das asas do inimigo no rosto, mas não reage a tempo de lhe acertar.

   Quase de imediato, vê-se obrigada a usar a katanapara desviar a lâmina de outro tengue depois a rebolar sobre o ombro para fugir à naginata de um terceiro, aquele cujo coração batia com o poder de ondas a esmagarem-se contra penedos.
 
   A mortal dança prossegue. Os três yokaivoadores, rápidos e precisos, acossam-na em círculos cada vez mais apertados, em vagas que a impedem de concentrar-se num alvo. A vampira baixa-se e, em vez de ficar sem pescoço, é-lhe cortado o rabo-de-cavalo louro, preso no topo da cabeça. Rolando para a frente desvia-se de uma arma e, dessa posição vulnerável, deflecte outra com a katana. Os cabelos soltos caem-lhe sobre o rosto ao erguer-se, sendo então que os arqueiros atacam.


Próxima: Dança do Corvo (2ª parte) – O mais poderoso

Monday, May 28, 2012

Diário Visual: 28 de Maio de 2012

Conto "500 seguidores" com Eleanora it's a work in progress...

Kiseru (cachimbo japonês). Primeiro draft do conto de Eleanora está feito.   O que falta?  Outra passagem de olhos, martelar certos pormenores, rever, deixar a marinar, rever outras vez, passar pelos beta-readers e voltar a rever. (Será que estou a rever quanto baste? Que se lixe, quando em dúvida mais uma revisão).

And the winner is...

  Eleanora "Lâmina Sangrenta" Reeve! Sem grande surpresa a vampira bitch slaps the competition. No início ainda houve em despique entre ela, Vik e Lance, mas depois acelerou, fazendo-os comer uns bons quilinhos de poeira.

  Eleanora arrecadou 31% dos votos. Medalha de prata foi para Vik Fenrissky (18%) e a de bronze para Lance "Meia-Raça (15%).

  A única verdadeira surpresa foi o 4º lugar ter ido para Kate Midwaay, com 10% dos votos. Talvez a vejamos ascender em iniciativas futuras...

  Monk e Roy McAllister ficaram empatados nos 7%, enquanto os demais candidatos receberam valores demasiado insignificantes par mencionar.  

  Resta saber, será que na próxima sondagem, Eleanora voltará a ganhar?

  Prometido é devido e em breve terão o belo do conto.



Monday, May 21, 2012

Diário Visual - novo formato

  Esta semana vamos fazer uma pequena experiência, em vez de apresentar o que se passa no estirador de "Crónicas Obscuras" através de resumos semanais das publicações do álbum "Diário Visual", passaremos a fazê-las diariamente, tal como na página no Facebook. Só para ver qual dos formatos é mais interessante.

  Começaremos pelas imagens relativas a 20 de Maio de 2012. Todas elas pertencem ao trabalhos de revisão da versão inglesa de "Crónicas Obscuras - A Vingança do Lobo" (Dark Chronicles: The wolf’s revenge):
Topielec, fantasma de um humano afogado. O espírito na imagem é um pouco mais bonitinho do que os descritos, não obstante, foi a melhor que encontrei. Quem leu o livro sabe a relação entre os topielce e a Plataforma dos Fenrison. 

Helicóptero Huey, similar ao pertencente a Eleanora "Lâmina Sangrenta" Reeve, pilotado pelo vampiro Balavan

Lançador de granadas Arwen 37, uma das arma que utilizada pela vampira Linda  na batalha na Plataforma.

M16, arma utilizada pelo vampiro Roy McAllister na batalha na Plataforma. 

AK-47, arma utilizada pelo vampiro Custler na batalha final de "A Vingança do Lobo".
PS: eu sei, dar-lhe o nome Custler tornou um pouco óbvio o seu destino.





Tuesday, May 15, 2012

Personagens - Pick your poison

  Pôr aqui toda a informação criaria um post monstruoso, por isso limitei-me a criar o centro da teia. Espero que vos ajude a votar, independentemente de terem lido "A Vingança do Lobo" ou não.

  A informação base está dividida em: descrição e feito; casting (onde estão as várias sugestões dos fãs para o papel em questão), soundtrack (onde tentamos arranjar a música indicada para a personagem) e baptismo (sobre a origem do nome da personagem). As personagens sobre as quais existe fanart, terão também as imagens publicadas. Espero que gostem e sintam-se à vontade para fazerem sugestões nas secções casting e soundtrack.   


Agente Isabel Martínez: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  
Detective Benedict Carter: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Detective Randall Turner: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Obliterador Clint Roark: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Licantropo híbrido Lance "Meia-Raça": descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo. 
Obliterador David Ulster: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Vampira Eleanora "Lâmina Sangrenta" Reeve: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo
Licantropa fenrisniana Marla Fenrisondescrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.
  
Jornalista Walter Anderson: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo. 

Vampira Gabriela: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  


Obliterador Fred Torpe: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Lobisomem fenrisniano Torn Fenrissky: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.

Lobisomem fenrisniano Vik Fenrissky: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  
Agente Mark O'Neil: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo. 

Colector Frank Manson: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Vampiro Roy McAllister: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.

Obliterador Paul Ferguson: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.  

Caroline Midwaay: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo.
  
Obliterador Logan: descrição e feitiocasting; soundtrack e baptismo

Tuesday, May 8, 2012

Diário Visual: resumo semanal II

Imagens de 1 a 7 de Maio, maioria das quais relacionadas com a revisão da versão inglesa de "Crónicas Obscuras - A Vingança do Lobo" e com a ida à Feira do Livro de Lisboa.
“The Wolves Pursuing Sol and Mani” (1909) by J. C. Dollman. Representação dos filhos de Fenris, Skoll e Hati, que Segundo a mitologia nórdica perseguem o Sol e a Lua, respectivamente. 

Novamente, Skoll e Hati, desta vez numa representação que mistura elementos celtas.

Facas borboleta, uma arma tradicional de kung fu, utilizadas pelo vampiro Monk.

“Anarchy it he U.K.” dos “Sex Pistols” música que tovaca em White Noise no capítulo de apresentação da vampira Eleanora “Lâmina Sangrenta” Reeve. 

Despojos da Feira do Livro de Lisboa, 5 de Maio.

Melhor visão
Todos os despojos da Feira do Livro de Lisboa


Tengu, Oculto japonês que não aparece em “A Vingança do Lobo”, mas é referido. Novamente, não sendo uma representação tradicional tem lá todas as características habituais. Os que idealizo para “Crónicas Obscuras” são um pouco diferentes, mas parecidos com a imagem seguinte…




Uzi, arma utilizada pela vampira Linda durante o combate no prédio de Gabriela



Oni, Oculto japonês que não aparece em “A Vingança do Lobo”, mas é referido. Apesar de não ser um desenho tradicional, estão lá todos os elementos habituais, os colmilhos, os chifres e a moca de ferro.

Sunday, March 4, 2012

Behind the Scenes: Writer’s Log IX

  Melhor que a última semana, mas mesmo assim apenas dois capítulos. Muita pesquisa e passei algumas horas a aperfeiçoar a orientação da narrativa, assim como as características de certas personagens, mas escrita propriamente dita nem por isso.

  Por outro lado, recebi de Inês Neves, uma fã e amiga, a versão “chibi” de Eleanora “Lâmina Sangrenta” Reeve, o que me agradou muito. Veremos se em breve “chibi” Eleanora terá companhia… 
  Já que tenho tão pouco para dizer esta semana, gostaria de vos fazer uma pergunta: gostariam de ver resumos semanais do "Diário Visual" aqui no blog ou preferem continuar a acompanhar apenas as actualizações diárias na página de Crónicas Obscuras no Facebook?

Thursday, January 26, 2012

Sexualidade em Crónicas Obscuras

  Após o último post, fazia todo o sentido responder à pergunta “Existem personagens homossexuais em Crónicas Obscuras? Ora, uma vez que apenas posso falar das narrativas disponíveis ao público (“A Vingança do Lobo”; “Vigília” e “O Farol”) terei de dar uma resposta entre o “sim” e o “talvez”. Já explico.

  Pegando apenas nas 36 das personagens “mais importante” de “Crónicas Obscuras – A Vingança do Lobo”, existem 17 heterossexuais, 3 bissexuais (Eleanora, Gabriela e Miguel) e 16 classificados como indefinidos, ou seja, personagens cuja sexualidade não é relevante para a história e não afecta o seu modo de agir, por isso, nunca me dei ao trabalho de as “balizar sexualmente”. Por exemplo, Logan e Paul Ferguson são Obliteradores que vivem obcecados com a missão de eliminar Ocultos, contudo, nada sabemos sobre as suas preferências e, verdade seja dita, para o caso, elas não importam.

  Quero com isto dizer que entre estes 16 indefinidos haverão homossexuais? Talvez. Tudo depende se voltarei a pegar neles e se revelá-lo será relevante para as narrativas em questão.    

  No que diz respeito aos contos. “O Farol” tem apenas três personagens distribuídas em menos de mil palavras e em nenhuma delas é abordada a sexualidade. Em “A Vigília” todas as personagens foram descritas como estando, ou tendo estado, em relações heterossexuais, contudo, Brona tem o hábito de se apaixonar por pessoas, não por géneros.

  A questão da sexualidade ganha contornos mais complicados, quando tomamos consciência que além do factor “género” temos a condicionante “espécie”. Em “Crónicas Obscuras” existem vários casos de relações entre espécies diferentes, alguns bem aceites e outras nem por isso. Obviamente, a questão não é linear, variando muito de personagem para personagem, contudo, existem tendências:

  Exemplo 1: os vampiros são muito liberais a nível sexual, tendendo mais para a bissexualidade, do que para a homo ou hetero. Por outro lado, no que diz respeito a relações entre espécies, não hesitam em envolver-se com humanos, mas ficam de pé atrás com outro Ocultos. Em “A Vingança do Lobo”, isto é bem visível com Eleanora, que sempre teve amantes vampiros e humanos, de ambos os sexos, sem nunca ter ouvido uma única crítica, até ao momento que se envolveu com um lobisomem.

  Exemplo 2: Os lobisomens tendem a ser extremamente preconceituosos no que diz respeito a relações com outras espécies e mesmo entre raças diferentes de licantropos, dado à sua obsessão com a pureza do sangue. Quanto à homossexualidade, ainda não me ocorreu escrever sobre a sua relevância entre os licantropos, não obstante, tendo em conta a personalidade deles como espécie, é provável que se ela existir será às escondidas. No debate sobre o tema, não posso deixar de mencionar o fenómeno biológico Atracção: (http://cronicasobscuras.blogspot.com/2010/05/lobisomens-atraccao.html).    

Sunday, January 22, 2012

Behind the Scenes: Writer’s log 3

  Depois da semana passada ter sido fraquinha, retomei o ritmo, embora continue a achar que ainda há por onde melhorar.

  Continuei a rever o texto “Crónicas Obscuras – Cicatrizes”, dando especial atenção aos diálogos que envolvessem os vampiros Kurt Jameson, Nuti e Ollie Oppedisano (Oppy, para os amigos), o primeiro por citar músicas, a segunda por ser uma cabra convencida e o terceiro pelo calão que usa.

  Outro ponto forte da revisão foi o capítulo da “orgia de sangue”, que a cada releitura acho sempre que falta alguma coisa mais… visceral. Daqui a uns dias, quando tiver o distanciamento necessário, voltarei a ler, para ver se foi desta que acertei…

  Por sugestão do público, coloquei legendas mais pormenorizadas no álbum “Diário Visual” na   página de “Crónicas Obscuras” no Facebook). Por si só, actualizar as fotos já publicadas, foi um exercício interessante, que me obrigou a reflectir sobre certas ideias. Antes de mais, até agora, todas as imagens têm estado relacionadas com os trabalhos de revisão e estou curioso para ver o efeito de alargar o espectro, não só quando voltar à escrita propriamente dita, com também passar a utilizar o álbum para recordar conteúdos mais antigos. Veremos…

  Seja como for, terão de ser vocês a decidir se as legendas tornam o “Diário Visual” mais apelativo, aliás, desafio-vos a irem lá espreitar e lembro que o compromisso dos 500 seguidores continua de pé… 

Tuesday, January 10, 2012

Lyrics - continuação de Behind the Scenes: Writer's log 1

  Em “Behind the Scenes: Writer I” (http://www.cronicasobscuras.blogspot.com/2012/01/behind-scenes-writers-log-i.html) mencionei que o vampiro Kurt Jameson, personagem que surge pela primeira vez em “Crónicas Obscuras – O Pergaminho de Fenris”, é conhecido por, volta e meia, introduzir citações e títulos de músicas nos diálogos, algo que condiz com ele e tem um resultado interessante no texto, todavia, não é feito sem algumas dificuldades.

  O problema com substituir parte de diálogo por referências musicais, tal como encontrar a citação certa para o local ideal, é que se elas não surgem naturalmente, dão uma trabalheira desgraçada a achar, requerendo muita pesquisa, repleta de avanços e recuos. Muitas vezes nem adiante que a resposta esteja numa música que tenhamos ouvido centenas de vezes, basta nas últimas horas ou dias termos outra banda sonora na cabeça para nos escapar. Como a última palavra na sopa de letras, podemos estar mesmo a olhar para ela e não a ver. Condicionados não só pelos nossos gostos, como por centenas de variáveis que nos leva a pensar, naquele exacto momento, em determinadas músicas em detrimentos de outras, somos obrigados a despender o dobro do esforço para conseguir um resultado satisfatório.

  É bem mais fácil mudar um diálogo para encaixar numa citação, do que encontrar a citação certa para um diálogo existente, uma vez que não se trata apenas de achar uma palavra ou outra, mas toda uma frase cujo sentido encaixe na perfeição.

  A coisa complica-se ainda mais quanto nos lembramos que as músicas seleccionadas não devem coincidir com os meus gostos, mas com os de Kurt, tendo de fazer sentido no que diz respeito à concepção da personagem e não podem ser posteriores a 2007.

  Passo a explicar, talvez nem toda a gente que leu “Crónicas Obscuras –A Vingança do Lobo” se tenha apercebido que a história ocorre no Verão de 2006, cinco anos depois da morte da família de Lance “Meia-Raça”, a 25 de Julho de 2001, uma das poucas datas referidas na obra, ora, uma vez que os eventos de “O Pergaminho de Fenris” e “Cicatrizes” têm lugar no Inverno seguinte, aproximadamente em Janeiro e Fevereiro de 2007, não faria sentido Kurt referir músicas posteriores.    

  Já agora um exemplo. Num dos capítulos existiram duas oportunidades para substituir diálogo por citações de duas músicas distintas de Guns N’ Roses (embora goste de algumas, não sou, exactamente, o maior fã da banda, porém, como tinha dito antes, o texto tem de reflectir os gostos de Kurt não os meus). Ora, como não quis citar a mesma banda duas vezes num capítulo tive de escolher entre usar Catcher in the Rye ou Dead Horse. Lembrem-se que a escolha não se prende com gostos musicais, mas com aquilo que faz mais sentido, sendo isso que me levou a pender para Dead Horse, após uma pequena pesquisa. Dead Horse faz parte do álbum Use Your Illusion I de 1991, enquanto Catcher in the Rye pretence a Chinese Democracy de 2008, um ano depois dos eventos de “Cicatrizes”, e embora eu pudesse contornar a questão com o facto de ter escapado para a Net um demo  Catcher in the Rye em Fevereiro de 2006, achei que fazia mais sentido que Kurt, nascido em 1962 e transformado em 1986/1987, tivesse uma maior familiaridade com a canção mais velha.    
  “Parece muito trabalho para tão pouco” dirão. Verdade, trata-se apenas de uma excentricidade da Kurt, um pormenor relativamente insignificante, contudo, na minha opinião, são essas pinceladas finais que dão textura às personagens, tornando-as de “coisas” a entidade interactivas. Não dá mais trabalho do que encontrar a arma certa para determinada cena ou pesquisar a fauna da área onde ocorre a acção. De qualquer modo, nem sempre dá trabalho. Como disse, por vezes os resultados saem naturalmente.    

Sunday, January 8, 2012

Behind the Scenes: Writer's log 1

  A primeira semana de 2012 não foi carne, nem peixe, ou seja, ficou aquém dos objectivos, mas também não resultou num completo desperdício.
  Na página de “Crónicas Obscuras” no Facebook foi activado o “Diário Visual”, sendo ainda demasiado cedo para dizer se foi uma ideia interessante ou nem por isso. No fundo, serão vocês, mais do que eu, os juízes.

  A revisão de “Crónicas Obscuras – Cicatrizes” avança devagar. Em parte porque sempre que alcanço um bom ritmo fico com a impressão que estou a ser descuidado, por isso, prefiro recuar, abrandar e reler com redobrada atenção. Afinal, as revisões não são para serem feitas depressa, mas bem. Não me adianta ficar todo satisfeito por ter verificado o texto todo em 4 dias, se depois tenho de fazer o triplo das revisões.

  O segundo motivo esteve relacionado com a especial atenção que tive de dedicar às intervenções do vampiro Kurt Jameson, muitas das quais precisei de rescrever na íntegra. 
  
  Entre outras coisas, Kurt Jameson, personagem que surge pela primeira vez em “Crónicas Obscuras – O Pergaminho de Fenris”, é conhecido por, volta e meia, introduzir citações e títulos de músicas nos diálogos. É uma característica que encaixa bem na sua personalidade e que não provocou problemas na narrativa anterior, contudo, revelou-se menos pacífica nesta, onde ele tem um papel mais destacado. Na versão 1.0 de “Cicatrizes” achei que tinha incluído o número suficiente destas referências, avaliação que mudei ao ler o texto na íntegra, considerando que preciso de colocar mais para reflectir na perfeição essa característica, mas não tantas que se tornem desinteressantes ou mesmo chatas.

  Como também eu não quero tornar-me muito chato, deixarei para outro post o desenvolvimento dos problemas específicos deste género de diálogo, para já, basta dizer que tentar fazer a substituição à medida que se revê o texto obriga a perder o dobro do tempo e quebra o ritmo de trabalho. De futuro, optarei por simplesmente marcar as secções, para lidar com elas no dias reservados em exclusivo para isso.

Sunday, November 27, 2011

Behind the Scenes - Influências: Anne Rice

 Anne Rice pode ser considerada uma influência em “Crónicas Obscuras”? Sim e não.

 Por um lado, sendo um nome incontornável da dark fantasy, uma das melhores autoras do género a desenvolver os seres sobrenaturais para além do estigma bidimensional de monstros, fornecendo-lhes mais camadas, entre as quais sentimentos similares aos humanos, posso considerar Anne Rice uma influência. Aliás, já o defendi anteriormente, que a considero uma das autoras essenciais para quem pretenda escrever dark fantasy, apenas superada (e muito, não vale a pena estarmos com paninhos quentes) por H. P. Lovecraf e que acho perturbante que ditos “fãs” do género conheçam de cor e salteado livros mais recente e inferiores (sim, estou a falar de Meyer e companhia), ao mesmo tempo que ignoram completamente os trabalhos de Rice. Ela sabe imprimir sentimentos profundos nas personagens, sem os tornar clones lamechas e sonsos uns dos outros.

 Por outro lado, os vampiros de "Crónicas Obscuras" são muito diferentes dos de Rice, embora, verdade seja dita, continuam a ser mais parecidos do que outras criaturas que as novas gerações teimam em denominar como tal… Derradeiramente, a única coisa que a minha escrita e a de Rice têm em comum é o género em que se inserem, contudo, não me parecia justo referir tantas influência e não a mencionar.      


Friday, October 21, 2011

Behind the Scenes: Baptismo VII – Monk


  Durante os primeiros tempos da criação de uma narrativa, tenho o hábito de colocar pequenas alcunhas ou nomes de código às personagens que ainda não baptizei, denominações que normalmente se associam ao aspecto delas. Monk foi um dos casos em que essa alcunha inicial acabou por tornar-se no seu nome oficial. 

  No contexto de universo literário de “Crónicas Obscuras”, as personagens tratam-no por esta alcunha porque não sabem o seu verdadeiro nome e o próprio vampiro asiático não parece muito interessado em esclarecê-los.

  Lembro que não é incomum os vampiros de “Crónicas Obscuras” mudarem de nome após serem transformados e mesmo fazerem-no com frequência ao longo dos anos, sendo algumas das suas escolhas bastante estranhas. Na verdade, a escolha de certos nomes é um dos métodos através dos quais os vampiros mais velhos detectam os novatos e mais um motivo para fazerem pouco deles.

Friday, September 23, 2011

Behind the Scenes: Baptismo VI – Eleanora

  A avaliar pelas opiniões que tenho recebido dos fãs, esta publicação de “Behind The Scenes – Baptismo” será das mais aguardadas. Finalmente falaremos sobre a origem do nome de uma fan favorite a vampira Eleanora “Lâmina Sangrenta” Reeve.
 
  Em primeiro lugar, é preciso de dizer que Eleanora é um caso singular entre as personagens de “Crónicas Obscuras – A Vingança do Lobo”, pois trata-se da única cujo nome não foi da minha exclusiva responsabilidade. Os fãs do blogue mais atentos saberão que meia dúzia das personagens de “Crónicas Obscuras” são baseadas em pessoas reais. Melhor dizendo, as características físicas e algumas psicológicas desses indivíduos foram usadas como base do character building antes de eu lhes dar as pinceladas finais, altura em que ganharam vida própria e se começaram a distanciar dos modelos originais. Não só a minha amiga Inês Neves não é uma vampira, como não acredito que seja capaz de decapitar um lobisomem com um só golpe de katana (contudo, quem já a viu com uma vassoura nas mãos não descarta essa hipótese…).
 
  Na época em que o universo de “Crónicas Obscuras” ainda se encontrava na “sopa primordial” das minhas notas, onde Eleanora era apenas conhecida como “a personagem da Inês”, pedi à fonte de inspiração para me ajudar a baptizá-la, parecendo-me apenas justo que ela tivesse esse direito.
 
  Assim sendo, Eleanora teve dois “padrinhos”: eu que lhe dei o epíteto e Inês Neves que lhe concedeu o nome próprio e o apelido.
 
  Sobre o epíteto “Lâmina Sangrenta” a sua razão de ser não carece de grandes explicações, prendendo-se com as qualidades dela como guerreira, nomeadamente, o modo letal como manobra a sua katana de bainha negra, desprovida de guarda. Quanto ao resto, deixarei a explicação nas mãos da responsável.
 
  Isto foi o que ela me respondeu, ipsis verbis, quando lhe pedia ajuda para este post
 
  “Bem, em relação ao nome Eleanora, já que ela vinha de uma família nobre, apesar de empobrecida, fui pesquisar nomes com uma origem medieval, que inspirassem um sentimento de cultura e refinamento... Como sabes, limitei a pesquisa a dois nomes: Beatrice e Eleanora (inspirado na Leonor de Aquitânia). Como disseste que Beatrice era nome de pessoa tenrinha (e é), acabou por ficar um dos melhores nomes que ouvi! :)

   Quanto a Reeve, também pesquisei apelidos ingleses que tivessem uma origem bastante antiga, visto que, já que a família dela era empobrecida no século XVI/XVII, parti do princípio que tivessem tido o seu período áureo na época medieval. Reeve é um dos mais antigos apelidos ingleses, de origem anglo-saxã, e quer dizer qualquer coisa como xerife ou um responsável por executar a lei (construí a minha própria história de como a família podia ter ganho o título nobiliárquico por serviços prestados à coroa... lol perdoa-me as liberdades!"

:)
Ficaram esclarecidos?