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Monday, February 6, 2012

Behind the Scenes: Writer’s Log V

  Uma bela semana. Tal como previ no útil Writer’s Log consegui terminar a revisão de “Crónicas Obscuras – Cicatrizes”. Talvez regresse para um toque ou outro na pintura, mas a “parte de leão” do trabalho está feita.

  Esta meta não foi atingida sem um fim-de-semana a dedicar especial atenção à personagem Kurt Jameson e aos seus diálogos com referências musicais. Se bem se lembram já falei por aqui sobre as dificuldades de trabalhar com este género de conteúdos (http://www.cronicasobscuras.blogspot.com/2012/01/lyrics-continuacao-de-behind-scenes.html). À baliza temporal e falta de um conhecimento musical enciclopédico, aproveito para acrescentar duas complicações: a repetição e a tradução.

  Na tradução os problemas são os do costume: selecção das palavras mais correctas, lidar com expressões idiomáticas e toda a panóplia do “When we hit, no one remembers. When we miss, no one forgets”. Por exemplo, ao citar I Heard It Through the Grapevine de Smokey Robinson & the Miracles, (música que mais tarde foi celebrizada pelos covers de Creedence Clearwater Revival e Marvin Gaye) tive de decidir entre traduzir “grapevine” literalmente por “videira” ou pelo seu significado idiomático “rumor” ou “mexerico”. Decidi-me pelo primeiro, pois o sentido idiomático é facilmente reconhecível no contexto e “videira” estaria mais perto daquilo que a personagem diria em inglês (é preciso não esquecer que, para efeitos da narrativa, apesar de escrito em português, o diálogo ocorre em inglês).




  Não tenho ilusões sobre a tradução. Sei que muitas das opções (senão todas) estão abertas a contestação, todavia, há muito que acredito que mais importante do que tomar a decisão certa ou a errada, é tomar uma e arcar com as consequências, ponto final.

  Ao referir “repetição” como um dos problemas, falo não só de não repetir músicas (embora, em alguns casos, isso facilitasse as coisas), mas também de evitar referir demasiado certas as bandas. Felizmente este problema acabou por revelar-se útil, pois a quantidade de repetições de determinado conteúdo musical, ajudou a estabelecer mais pormenorizadamente os gostos da personagem, ou seja, destacar entre as bandas ou cantores que Kurt Jameson gosta de ouvir, quais os que prefere.    

  O que farei agora? Provavelmente irei apostar no projecto CO-TP em detrimento de completar “Crónicas Obscuras – Vínculos”, contudo, ainda não está nada written in stone. Talvez até gaste um bocadinho a escrever um conto ou dois antes de avançar para uma das narrativas maiores… Veremos…  

Sunday, January 22, 2012

Behind the Scenes: Writer’s log 3

  Depois da semana passada ter sido fraquinha, retomei o ritmo, embora continue a achar que ainda há por onde melhorar.

  Continuei a rever o texto “Crónicas Obscuras – Cicatrizes”, dando especial atenção aos diálogos que envolvessem os vampiros Kurt Jameson, Nuti e Ollie Oppedisano (Oppy, para os amigos), o primeiro por citar músicas, a segunda por ser uma cabra convencida e o terceiro pelo calão que usa.

  Outro ponto forte da revisão foi o capítulo da “orgia de sangue”, que a cada releitura acho sempre que falta alguma coisa mais… visceral. Daqui a uns dias, quando tiver o distanciamento necessário, voltarei a ler, para ver se foi desta que acertei…

  Por sugestão do público, coloquei legendas mais pormenorizadas no álbum “Diário Visual” na   página de “Crónicas Obscuras” no Facebook). Por si só, actualizar as fotos já publicadas, foi um exercício interessante, que me obrigou a reflectir sobre certas ideias. Antes de mais, até agora, todas as imagens têm estado relacionadas com os trabalhos de revisão e estou curioso para ver o efeito de alargar o espectro, não só quando voltar à escrita propriamente dita, com também passar a utilizar o álbum para recordar conteúdos mais antigos. Veremos…

  Seja como for, terão de ser vocês a decidir se as legendas tornam o “Diário Visual” mais apelativo, aliás, desafio-vos a irem lá espreitar e lembro que o compromisso dos 500 seguidores continua de pé… 

Tuesday, January 10, 2012

Lyrics - continuação de Behind the Scenes: Writer's log 1

  Em “Behind the Scenes: Writer I” (http://www.cronicasobscuras.blogspot.com/2012/01/behind-scenes-writers-log-i.html) mencionei que o vampiro Kurt Jameson, personagem que surge pela primeira vez em “Crónicas Obscuras – O Pergaminho de Fenris”, é conhecido por, volta e meia, introduzir citações e títulos de músicas nos diálogos, algo que condiz com ele e tem um resultado interessante no texto, todavia, não é feito sem algumas dificuldades.

  O problema com substituir parte de diálogo por referências musicais, tal como encontrar a citação certa para o local ideal, é que se elas não surgem naturalmente, dão uma trabalheira desgraçada a achar, requerendo muita pesquisa, repleta de avanços e recuos. Muitas vezes nem adiante que a resposta esteja numa música que tenhamos ouvido centenas de vezes, basta nas últimas horas ou dias termos outra banda sonora na cabeça para nos escapar. Como a última palavra na sopa de letras, podemos estar mesmo a olhar para ela e não a ver. Condicionados não só pelos nossos gostos, como por centenas de variáveis que nos leva a pensar, naquele exacto momento, em determinadas músicas em detrimentos de outras, somos obrigados a despender o dobro do esforço para conseguir um resultado satisfatório.

  É bem mais fácil mudar um diálogo para encaixar numa citação, do que encontrar a citação certa para um diálogo existente, uma vez que não se trata apenas de achar uma palavra ou outra, mas toda uma frase cujo sentido encaixe na perfeição.

  A coisa complica-se ainda mais quanto nos lembramos que as músicas seleccionadas não devem coincidir com os meus gostos, mas com os de Kurt, tendo de fazer sentido no que diz respeito à concepção da personagem e não podem ser posteriores a 2007.

  Passo a explicar, talvez nem toda a gente que leu “Crónicas Obscuras –A Vingança do Lobo” se tenha apercebido que a história ocorre no Verão de 2006, cinco anos depois da morte da família de Lance “Meia-Raça”, a 25 de Julho de 2001, uma das poucas datas referidas na obra, ora, uma vez que os eventos de “O Pergaminho de Fenris” e “Cicatrizes” têm lugar no Inverno seguinte, aproximadamente em Janeiro e Fevereiro de 2007, não faria sentido Kurt referir músicas posteriores.    

  Já agora um exemplo. Num dos capítulos existiram duas oportunidades para substituir diálogo por citações de duas músicas distintas de Guns N’ Roses (embora goste de algumas, não sou, exactamente, o maior fã da banda, porém, como tinha dito antes, o texto tem de reflectir os gostos de Kurt não os meus). Ora, como não quis citar a mesma banda duas vezes num capítulo tive de escolher entre usar Catcher in the Rye ou Dead Horse. Lembrem-se que a escolha não se prende com gostos musicais, mas com aquilo que faz mais sentido, sendo isso que me levou a pender para Dead Horse, após uma pequena pesquisa. Dead Horse faz parte do álbum Use Your Illusion I de 1991, enquanto Catcher in the Rye pretence a Chinese Democracy de 2008, um ano depois dos eventos de “Cicatrizes”, e embora eu pudesse contornar a questão com o facto de ter escapado para a Net um demo  Catcher in the Rye em Fevereiro de 2006, achei que fazia mais sentido que Kurt, nascido em 1962 e transformado em 1986/1987, tivesse uma maior familiaridade com a canção mais velha.    
  “Parece muito trabalho para tão pouco” dirão. Verdade, trata-se apenas de uma excentricidade da Kurt, um pormenor relativamente insignificante, contudo, na minha opinião, são essas pinceladas finais que dão textura às personagens, tornando-as de “coisas” a entidade interactivas. Não dá mais trabalho do que encontrar a arma certa para determinada cena ou pesquisar a fauna da área onde ocorre a acção. De qualquer modo, nem sempre dá trabalho. Como disse, por vezes os resultados saem naturalmente.    

Sunday, January 8, 2012

Behind the Scenes: Writer's log 1

  A primeira semana de 2012 não foi carne, nem peixe, ou seja, ficou aquém dos objectivos, mas também não resultou num completo desperdício.
  Na página de “Crónicas Obscuras” no Facebook foi activado o “Diário Visual”, sendo ainda demasiado cedo para dizer se foi uma ideia interessante ou nem por isso. No fundo, serão vocês, mais do que eu, os juízes.

  A revisão de “Crónicas Obscuras – Cicatrizes” avança devagar. Em parte porque sempre que alcanço um bom ritmo fico com a impressão que estou a ser descuidado, por isso, prefiro recuar, abrandar e reler com redobrada atenção. Afinal, as revisões não são para serem feitas depressa, mas bem. Não me adianta ficar todo satisfeito por ter verificado o texto todo em 4 dias, se depois tenho de fazer o triplo das revisões.

  O segundo motivo esteve relacionado com a especial atenção que tive de dedicar às intervenções do vampiro Kurt Jameson, muitas das quais precisei de rescrever na íntegra. 
  
  Entre outras coisas, Kurt Jameson, personagem que surge pela primeira vez em “Crónicas Obscuras – O Pergaminho de Fenris”, é conhecido por, volta e meia, introduzir citações e títulos de músicas nos diálogos. É uma característica que encaixa bem na sua personalidade e que não provocou problemas na narrativa anterior, contudo, revelou-se menos pacífica nesta, onde ele tem um papel mais destacado. Na versão 1.0 de “Cicatrizes” achei que tinha incluído o número suficiente destas referências, avaliação que mudei ao ler o texto na íntegra, considerando que preciso de colocar mais para reflectir na perfeição essa característica, mas não tantas que se tornem desinteressantes ou mesmo chatas.

  Como também eu não quero tornar-me muito chato, deixarei para outro post o desenvolvimento dos problemas específicos deste género de diálogo, para já, basta dizer que tentar fazer a substituição à medida que se revê o texto obriga a perder o dobro do tempo e quebra o ritmo de trabalho. De futuro, optarei por simplesmente marcar as secções, para lidar com elas no dias reservados em exclusivo para isso.