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Thursday, June 7, 2012

Conto: "Dança do Corvo (8ª parte) – Despedidas"


   - Quando partes? – pergunta Hayato, largando o cachimbo e passeando os olhos pela linha de árvores, onde os seus guerreiros aguardavam ordens.
            
   - De imediato – responde a vampira, agarrando a katanae erguendo-se. – Dentro de 4 dias será Lua Cheia, espero chegar à costa antes disso.
            
   - Esperam-te? – questiona, levando a taça de sakeaos lábios, por entre as barbas brancas.
            
   - Cada Lua Cheia, na praia onde cheguei – afirma, encaixando a espada entre o cinto e o hakama, recordando o acordo que fizera com Miguel, na noite em que fora traficada para o país, dentro de um barril. Ao mesmo tempo procura esquecer que teria de voltar a atravessar o oceano, tentando esconder de Hayato o seu medo patológico de grande superfícies de água.
            
   - Durante mais de 30 anos? – admira-se o velho tengu, suspendendo a ingestão do sake e olhando de soslaio para os olhos azul-esverdeados da vampira. – Tens amigos estranhamente leais, Eleanora-chan.
            
   - Assim o espero – alega, sorrindo perante a lembrança dos belos olhos azuis e caracóis louros de Miguel. Sentia falta dele…
            
   - Não tens o salvo-conduto contigo – constata, pousando a taça e perscrutando a amiga com os penetrantes olhos pretos. – Irás buscá-lo? Oh… Estou a ver…
            
   - Far-lhe-á mais falta a ela do que a mim – defende, desviando o olhar, não se sentido confortável a discutir o tema. Tomara a decisão quando partira, não podia dar-se ao luxo de revisitá-la. Ou, pelo menos, não o queria…
            
   - Então irás sozinha? Ela sentirá a tua falta…
            
   - É melhor assim – reforça, tanto para si, como para o mestre, fingindo não ouvir a censura na sua voz. Sobre aquela questão não admitia o parecer de ninguém, nem mesmo dele.    
            
   Memórias insistem em surgir, ameaçando minar a sua resolução. Olhos amendoados, castanho-esverdeados, que desaparecem atrás das pálpebras quando a faz gemer de prazer. A sua mão a passar pelos longos e lisos cabelos negros, antes de desaguar na curvatura sinuosa de costas nuas. Lábios finos, pintados vermelhos pelo sangue fresco, que lhe acariciam o mamilo duro, antes de rodar a língua nele…
            
   Eleanora expulsa as recordações, temendo o seu poder. Fizera a sua escolha. Nada ganharia em mudar de ideias. Era melhor assim…        
            
   - Sabes que se não levares o salvo-conduto será difícil regressar. Talvez até tenhas de voltar a enfrentar as mesmas provações… – adverte o velho tengu. – Não podes contar que todos aqueles que se lembram de ti sobrevivam até lá…
            
   - Hayato-oji, viverás mais anos do que aqueles que já vi. O próprio Deus da Morte não te quer! – brinca a vampira, rasgando um riso malicioso, aproveitando para afastar o que a atormentava.
            
   - Ah! Verdade! Verdade! – concorda, batendo com a palma da mão no joelho. Via bem que algo consumia a amiga, porém, respeitando a escolha dela em não falar sobre o assunto, assim como, não querendo embaraçar-se perante a despedida, aceita a oportunidade para aligeirar a conversa. – Tentarei manter as coisas organizadas por aqui, enquanto espero a desforra, Eleanora-chan. A propósito, se vais sem salvo-conduto seria melhor teres companhia até à costa, não? Shou-kun poderá levar-te. Shou-kun, vem cá! É grosseiro, mas uma jóia de moço.
            
   - Eu sei – reconhece, vendo o jovem tengu de asas castanhas e naginata cortada, voar na sua direcção. – Hayato-sama, obrigado!
            
   A vénia é profunda, abarcando muito mais do que o agradecimento pela escolta e o mestre retribui o grau de reverência. Pela primeira desde que qualquer um dos jovens guerreiros se lembra, a testa de Hayato-sama toca no solo. Então souberam que a Oculta os superara, tornando-se não só uma verdadeira yokai, como um dos Corvos.       

Tuesday, June 5, 2012

Conto: "Dança do Corvo (6ª parte) – Entre velhos amigos"


   A única coisa que Hayato, como todos os da sua espécie, odiava mais que caminhar em vez de voar, era ter um tecto sobre a cabeça. Espaços fechados eram para vermes, seres que não conheciam a glória e liberdade de planar pelos céus. Excepto durante tempestades, escolhia sempre estar ao ar livre, por isso a pequena celebração que mandara preparar para Eleanora ocorrera sob as estrelas e a Lua. Nada de muito elaborado, pois o velho tenguera um guerreiro simples, pouco dado a luxos. Apenas uma toalha vermelha, numa clareira limpa, sobre a qual fora colocada uma mesa baixa, com sake e sushi, enquanto, para a vampira, fora reservada uma bela e pálida mulher, de longos cabelos negros, vestida apenas com um fino quimono íntimo, branco como a mais pura das neves.
            
   A refeição aproxima-se do fim. Hayato, sentado na toalha, de pernas cruzadas debaixo do corpo, fuma o seu delgado e longo cachimbo, lançando anéis de fumo, enquanto Sora e Shou levam a mortal drenada pela vampira. Apesar de completamente desidratada, a sua expressão é tranquila, como se tivesse adormecido pacificamente, para nunca mais acordar.
            
   O velho tengu vê Eleanora repor o haori negro desprovido de emblemas sobre o ombro, cobrindo o braço decepado. Levará tempo, mas voltará a crescer. Ela afirma-o e ele sabe que assim é, lembrando-se perfeitamente da noite, há quase 30 anos, em que lhe cortara um braço e quase a matara. Trocar o privilégio de caminhar sob o sol por imortalidade, a capacidade de curar feridas num piscar de olhos e insensibilidade à dor, parecia um bom negócio a Hayato. Pudesse a sua espécie executar tal transformação e ele não hesitaria, por impuros que os vampiros fossem considerados pelos yokai.
            
   Foram tais poderes que deram a vitória à vampira, embora de pouco lhe tivessem servido no passado. Hayato e Eleanora tinham o mesmo peso e força muscular, mas a velocidade superior dele tê-la-ia fulminado se ela não usasse o próprio braço com escudo, abrandando o golpe da katana do tengu por uma fracção de tempo, tão pequena que era impossível de medir. Um batimento de coração. Um piscar de olhos. Quantas vezes a vida de um guerreiro era decidida nessas meras fracções?
            
   “Um bom combate” pensa Hayato, sorrindo com o cachimbo nos lábios, lamentando apenas não poder repetir a experiência tão cedo.
            
   - Ajuda este velho tolo a entender, Eleanora-chan – pede, afastando o cachimbo e voltando o rosto para os lábios da convidada, pintados com sangue fresco. – Decides colocar pé nestas terras numa época em que a tua presença é ilegal, tanto pela lei humana como yokai. Sofres e passas todas as nossas provas pelo direito a ficar, recebendo dos yokai o salvo-conduto que te permite caminhar entre nós. Privilégio conquistado por poucos Ocultos, devo acrescentar. Escapas também à justiça humana, para a qual eras um alvo tão fácil, com os teus cabelos louros e redondos olhos claros, tão vincadamente estrangeiros. Mantiveste-te entre nós durante os turbulentos dias do fim da Era Tokugawa. Agora, com sakoku abolida há quase vinte anos, em que o teu aspecto já não é motivo para perseguição humana e que a Bakumatsu acabou, dando-nos algo parecido com paz, é que desejas partir? Sei que esta Era Meiji ainda tem muito que provar, mas já estiveste ao nosso lado durante pior.
            
   - Hayato-san – retorque, acariciando a bainha negra da sua katana desprovida de guarda, que lhe jazia junto ao joelhos – se é verdade que uma parte de mim deseja ficar e que os dias que se avizinham aparentem ser mais pacíficos que os anteriores, especialmente para uma Oculta estrangeira, também é inegável que, com o fim da Guerra do Ano do Dragão, os yokai se vêem, cada vez mais, obrigados a tomar importantes decisões sobre o seu lugar no mundo dos homens. Tokugawa acabou. Bom ou mau, o tempo dos Meiji não será igual.
            
   Hayato sabia-o bem. A abertura aos estrangeiros, que ele defendera como uma das razões para Eleanora permanecer, obrigara, e ainda obrigava, a mudar séculos de tradicional interacção entre os yokaie os humanos daquele país. Ao contrário dos oni, cuja tolerância e colaboração com os humanos variavam de indivíduo para indivíduo, durante séculos os tengutinham lutado lado a lado com os samurais, aliando-se aos clãs dos senhores feudais que conquistavam o seu respeito. Agora, com a queda da nobreza feudal, erguiam-se vozes dissonantes. Alguns defendiam que deviam retirar-se completamente do mundo humano, procurando refúgio nas suas aldeias nas montanhas, tal como, segundo as lendas, os seus parentes do continente fizeram, há milénios atrás. Outros afirmavam que o melhor seria camuflarem-se na sociedade humana, tal como alguns Ocultos ocidentais. Eleanora tinha razão, cada espécie, cada indivíduo, teria de escolher como enfrentar aquele mundo em mudanças.


Saturday, December 3, 2011

Behind the Scenes: Back in the game

 Acabo o defeso e o NaNoWriMo volto a business as usual. 

 A não ser que sejam atingidos os 500 seguidores na página do Facebook, o que me obrigará a a dedicar-me ao prometido conto, os meus objectivos imediatos serão organizar e rever.

 - Organizar: acho que já está na altura de pegar naquele aglomerado caótico de apontamentos a que denomino “Dossier dos Monstros”, uma lista de potenciais seres mitológicos a serem utilizados em “Crónicas Obscuras”, e organizá-lo num bestiário funcional. Limando agora estas arestas e definindo de uma vez por todas as características principais de cada espécie e raça, pouparei tempo e trabalho no futuro. Para já tenho 120 espécies de Ocultos, veremos quantas subsistirão...

 - Rever: tendo passado 10 meses desde que completei “Crónicas Obscuras – Cicatrizes”, acho que está na altura de revisitar a história e dar-lhe outra limpeza, antes de procurar mais uma ou duas pessoas que a revejam.

 Depois? “Crónicas Obscuras - Vínculos” continua à espera e o projecto CO-TP começa a ganhar forma.  

Friday, July 30, 2010

Perguntas mais frequentes: que outras criaturas pretende usar de futuro?


Esta é uma pergunta complicada de responder, uma vez que fazê-lo pode implicar vários spoilers… Regra geral, refiro apenas que existem vários géneros de fantasmas com forte potencial literário.

Ao longo da minha pesquisa, seleccionei qualquer coisa como 120 potenciais espécies de Ocultos. Serão todas elas utilizadas? Veremos.

Tuesday, June 8, 2010

Morreste e agora?


Embora as crenças possam variar, a maioria dos Ocultos não acreditam na existência de um Reino dos Mortos. 

Em vez disso, crêem que, assim como o corpo se decompõe e nutre novas formas de vida, também a sua energia vital, ou chi, se desintegra, indo compor o espírito de diversas outras novas criaturas. Não se confunda esta “reciclagem de almas” com reencarnação, pois nada da personalidade do espírito original sobrevive.

Este processo acontece com todos os seres animados, porém, entre a maioria das criaturas auto-conscientes, como os humanos e certas espécies de Ocultos, o processo pode ser interrompido, se o falecido se mantiver preso no plano terreno, por qualquer motivo. Estes espíritos bloqueados são o que entendemos como fantasmas e só podem ser recolocados no ciclo através de três processos:

                        - destruição de restos mortais, normalmente através das chamas.

                        - exorcismo. Entenda-se que nem sempre este toma a forma de lengalengas em latim, entoadas de crucifixo em punho, existindo rituais de purificação, que apaziguam ou expulsão espíritos, em praticamente todas as culturas do mundo.       

                       - dar ao morto aquilo que ele deseja. Este último nem sempre é fácil, excepção feita às vítimas de crimes, uma vez que regra geral estas só querem uma de duas coisas: justiça ou vingança.

Friday, May 28, 2010

Em que crêem os Ocultos?

Tendo em conta a longa e atribulada relação entre as criaturas sobrenaturais e a religião, não existe uma resposta simples a esta questão.

Algumas espécies de Ocultos foram sacralizados por determinadas crenças e demonizados por outras, havendo mesmo aqueles que se viram veneradas como deuses.

Contudo, o que fica após a remoção desta percepção externa? Como é que cada espécie ou indivíduo de origem sobrenatural vê o divino?


Thursday, March 18, 2010

Feiticeiros/feiticeiras


A principal diferença entre os bruxos/bruxas e os feiticeiros/feiticeiras é que estes últimos nascem com pelo menos uma capacidade paranormal. Teletransporte, bilocação, clarividência, kything, etc, independentemente de qual seja o poder, ele dá-lhes uma maior facilidade na manipulação e canalização de energias para a execução de feitiços, isto se, em primeiro lugar, forem capazes de dominar essa capacidade psíquica inata.

Não obstante, um feiticeiro, para merecer essa definição e ser um verdadeiro fazedor de magia, continua a ter de aprender os gestos, palavras e, em alguns casos, ingredientes necessários à execução de determinado feitiço

Por exemplo, imagine-se uma feiticeira cuja capacidade psíquica é a telecinesia. Ela pode decidir mover, vamos supor, uma folha mentalmente, utilizando apenas o seu poder, contudo, se desejar incinerá-la terá de invocar o fogo através das mesmas palavras e gestos que qualquer outro fazedor de magia.

Monday, March 15, 2010

Fazedores de magia

Em Crónicas Obscuras, normalmente, dividem-se os fazedores de magia em duas categorias: feiticeiros/feiticeiras e bruxos/bruxas, cujas diferenças serão apontadas em futuros posts. A partir desde dois grupos principais surgem subcategorias, especializações, por assim dizer.

Por exemplo: xamãs, que para além de manterem um vínculo com o mundo dos espíritos, acumulam as funções politicas e medicinais; necromantes, que se dedicam a comunicar e dominar os mortos e alguns mortos-vivos (excluindo os vampiros); ilusionistas, não os executantes de truques baratos, mas fazedores de magia que se especializam em ilusões, manipulando os sentidos dos demais.

Em fim, existe um vasto leque de especialidades e sub-especialidades que, a seu tempo, aqui serão expostas.

Monday, March 8, 2010

A mente humana e os Ocultos


Tendo em conta que o mundo pertence à Humanidade, a sobrevivência dos Ocultos baseia-se na sua capacidade de se esconderem e/ou camuflarem na sociedade humana.

Felizmente para eles as nossas mentes têm um inegável talento para a negação, para mesmo subconscientemente mentirmos a nós próprios com o objectivo de adaptar aquilo que presenciamos a noções preconcebidas. Por outras palavras, apesar de humanos e Ocultos partilharem o mesmo mundo, o facto deste ser controlado por bases científicas e agnósticas mantém os seres sobrenaturais escondidos nas sombras, num clássico reflexo do mote: “o maior cego é aquele que não quer ver”. 

Não obstante, todo o cuidado é pouco…

Sunday, December 6, 2009

Norm

Algumas personagens o seu carisma vem da pura simplicidade. Norm é uma delas. Este Obliteradores cinquentenário, é uma mistura entre um soldado dedicado e um confidente compreensivo.

As suas sobrancelhas grossas, os cabelos curto grisalhos e a barriga proeminente dão-lhe o aspecto menos agressivo possível. A verdade é que este membro da equipa de Clint Roark, Fred Torpe, David Ulster e Paul Ferguson não toma parte da acção física e violenta do contacto com Ocultos, porém, como o especialista no equipamento é uma peça fundamental das operações.

Wednesday, November 25, 2009

Logan


O Obliterador ideal deve ser possuir uma disciplina férrea, ser inteligente e corajoso, conseguir reagir com rapidez e eficácia perante qualquer ameaça, mas acima de tudo acreditar sem hesitações que todo o que é sobrenatural deve ser eliminado e estar disposto a morrer por esse objectivo. Logan tem todas estas características.

Na altura d’A vingança do lobo, este tenente entre os Obliteradores, ronda os quarenta anos de idade, mantendo-se em óptima forma, como é patente pela sua constituição seca.

O seu rosto é ossudo, tendo um queixo duplo pequeno e forte, um nariz com indício de ter sido partido e uma cicatriz na têmpora. A natureza militar da sua personalidade é reflectida no cabelo negro com raízes grisalhas aparado curto e voz forte.     

Sunday, November 22, 2009

Starwind


  Os Ocultos mais ricos como, por exemplo os clãs licantropos têm de fazer uso de um sem número de subterfúgios para gerirem os seus bens, de modo a que os Obliteradores não dêem com eles através do capital. Empresas de fachada, parceiros humanos (que muitas vezes não sabem que estão a sustentar seres sobrenaturais), investimentos na Bolsa, etc. Em suma, um Oculto esperto tem dedos em muitas tartes e procura não se comprometer com nenhuma.

  O clã licantropo Fenrison faz o mesmo, envolvendo-se num vasto leque de actividades legais e ilegais relacionadas com as entradas e saídas do porto de Nova York, usando como fachada uma empresa chamada Starwind. Para o resto do mundo Starwind não passa de uma empresa de importações e exportação, desconhecem que no último andar da sua sede fica o escritório de Marla Fenrison, a líder de um dos maiores clã de lobisomens na costa Este dos Estados Unidos da América.

Thursday, October 29, 2009

Magia: uma arte secreta

Embora no mundo de Crónicas Obscuras existam criaturas e humanos com a capacidade de executarem actos que desafiam a lógica científica, nem todas essas habilidades são consideradas magia.Telepatia, telecinesia e outros poderes inerentes a humanos ou espécies Ocultas são classificadas como capacidades psíquicas.

No universo de Crónicas Obscuras, para ser magia a sua prática deve envolver um determinado ritual utilizando: palavras (para a invocação do poder), gestos (para impor direcção ou limite) e o gasto de energia, podendo também ser necessário recorrer a objectos (mágicos ou comuns) ou localizações, quer espaciais, quer temporais.

Quanto mais complexo for o feitiço maior será o número de pormenores necessários ao seu funcionamento e o dispêndio de energia.

Na maioria dos casos os fazedores de magia tendem a ser humanos, não obstante, existem algumas espécies de Ocultos que se dedicam à perigosa e complexa arte dos sortilégios.

Classificação dos fazedores de magia nas suas respectivas hierarquias e especializações serão alvo de posts futuros.

Tuesday, September 1, 2009

Pulsar


Este sentido é exclusivo dos vampiros, não existindo nada, sequer, remotamente semelhante em qualquer outra espécie. A sua funcionalidade tem como base o sangue e o seu propósito é facilitar a obtenção deste. Em termos básicos, trata-se de uma espécie de radar através do qual os vampiros localizam potenciais vítimas.

O Pulsar incorpora e sobrepõe-se aos sentidos ditos comuns. Ele permite a um filho da noite, ouvir e sentir as batidas dos corações em seu redor, assim como ver o sangue dentro de corpos, quer este esteja a correr ou estagnado, dependendo se o indivíduo em questão está morto, vivo ou morto-vivo).

Usado habilmente, o Pulsar permite:

- Detectar inimigos ou vítimas através de objectos sólidos ou na mais completa escuridão.

- Adivinhar sentimentos e intenções. Aprender a interpretar os batimentos do coração abre ao vampiro um universo de possibilidade, já que, nos mortais, quase todas as acções e pensamentos têm alguma espécie de efeito no músculo cardíaco.

- Descobrir outros Ocultos. Por exemplo: o coração de um licantropo fenrisniano, em repouso, baterá mais do que qualquer humano em iguais circunstâncias. Outra hipótese: se um vampiro vir um corpo com sangue a mexer, mas sem possuir batimento cardíaco está, quase de certeza, diante de outro filho da noite.

Claro que toda a medalha tem o seu reverso. Uma vez que o Pulsar e os sentidos normais se sobrepõem, por vezes, é difícil aos recém-criados habituarem-se a esta nova percepção do mundo. Embora a maioria se adapte relativamente bem, após umas semanas ou meses de angústia, alguns enlouquecem antes de o conseguirem...

Friday, May 22, 2009

Agente Isabel Martínez


Isabel é o tipo de mulher que ninguém imaginaria como polícia. Baixa e magra, uma verdadeira peso mosca. Ao olhar para esta latina de corpo magro e sensual, seios pequenos e firmes, lábios vermelhos secos e cabelos castanhos pelos ombros, muitos estariam há espera de se deparar com uma flor delicada, porém, nada podia estar mais longe da realidade. É uma lutadora astuta e resistente, cuja agressividade em combate contrastava vivamente com os seus modos dóceis no quotidiano.

Apesar de se considerar, com orgulho, uma verdadeira durona, basta um pequeno incidente para pôr descoberto as suas fragilidades e virara o mundo que pensava conhecer em 180º. Dá por si, uma mera humana, no meio de um guerra sobre o qual nada sabe, a lutar para manter a sanidade no caos, ao mesmo tempo que procura sobreviver ao fogo cruzado, entre Ocultos e Obliteradores.

Wednesday, May 20, 2009

Sinopse de "Crónicas Obscuras – A vingança do lobo"


No Parque Nacional de Olympic, sobre um crepúsculo enublado, dois campistas são atacados.

Dias depois, em pleno Parque Central de Nova York, três corpos aparecem mutilados, alimentando a imaginação dos media. O que eles não sabem é que ambos os crimes são mais do que aparentam…

Dez anos após ter desertado do seu clã, Lance "Meia-Raça" Fenrison, um lobisomem híbrido, volta à cidade Nova York para se vingar do homem que lhe matou a mulher e a filha. No outro lado do espectro está Isabel Martínez, uma agente da polícia, que ao encontrar-se acidental com Lance é atirada de cabeça para uma realidade que nem sonhara existir.

O mero regresso de Lance à Grande Maçã acaba por ter mais repercussões do que este poderia imaginar e, sem dar por isso, o licantropo vê-se alvo não só dos Obliteradores como do seu próprio clã. Vale-lhe uma inesperada e invulgar aliada, Eleanora "Lâmina Sangrenta" Reeve, uma vampira atípica, que tem uma única e ambiciosa missão: unir todas as divergentes espécies de Ocultos contra os Obliteradores que insistem em caçá-los.

Obliteradores obcecados e inflexíveis; lobisomens belicosos e tribalistas; vampiros inteligentes e intriguistas; feiticeiros poderosos e vulgares humanos que vivem as suas vidas, ignorando que em plena Nova York do século XXI o sobrenatural continua tão forte como em qualquer supersticioso e atrasado canto do mundo medieval.

Sunday, May 17, 2009

Obliteradores


Uma ancestral, secreta e militarizada sociedade dedicada há eliminação dos Ocultos. Embora no seu seio possam existir divisões em como alcançar esse fim, o seu objectivo é purificar o planeta de tudo o que seja remotamente paranormal.

Para eles, sobrenatural equivale a maléfico e não fazem concessões no seu ponto de vista. Chegam ao extremo de eliminar até humanos que demonstrem a menor tolerância ou associação com os Ocultos.

Armados até aos dentes e munidos de uma vontade de ferro eles são a maior ameaça que os Ocultos enfrentam. As suas fileiras podem diminuir mas nunca desaparecem pois são alimentadas pelo medo e ódio dos humanos. Claro que há sempre alguém disposto a retaliar…

Friday, May 15, 2009

Ocultos


  Embora o nome seja colectivo e abranja todas as espécies, raças e criaturas de natureza paranormal, não há nada de uniforme nos Ocultos. Não se trata de uma comunidade movida por um único objectivo (embora alguns dos seus membros desejassem que assim fosse) mas antes uma amálgama de indivíduos e grupos dedicados as suas próprias agendas. Os Ocultos são a própria definição de heterogeneidade. A única coisa que os liga é o facto de viverem escondidos num mundo que pertence aos humanos.

  Deles fazem parte: espécies de direito próprio, como os lobisomens e os vampiros; humanos que nasceram com capacidades especiais ou as desenvolveram, como os fazedores de magia e anomalias, criaturas que ultrapassaram os limites naturais.

  Infelizmente, o mesmo que faz cada espécie, raça e indivíduo único é o próprio combustível que alimenta a sua existência em permanente conflito uns com os outros e com a Humanidade. Ironicamente, os únicos seres que os vêem como “farinha do mesmo saco” são os Obliteradores, a sociedade milenar criada para os destruir.

  Em futuros posts irei falar das várias espécies que povoam as Crónicas Obscuras. Algumas aparecem n’ A vingança do lobo, outras só surgiram em volumes futuros, mas todas elas tem muito para oferecer.

Tuesday, May 12, 2009

O universo de Crónicas Obscuras


As Crónicas Obscuras não se passam num qualquer universo alternativo. Chamem-me preguiçoso, mas com um cenário tão rico e variado como o nosso planeta não me pareceu necessário criar um de raiz.

O mundo é dominado pela ciência, a tecnologia substituiu a magia e a racionalidade a superstição.  A maioria dos humanos vê o sobrenatural apenas como tema para filmes de terror e jogos de vídeos. A humanidade virou as costas às antigas crenças e relegou a mitologia ao papel de mera curiosidade. Infelizmente, do outro lado do espectro, não se pode fazer o mesmo…

Crónicas Obscuras relatam as histórias dos Ocultos, o conjunto de espécies, raças e indivíduos de natureza paranormal, e a sua luta para sobreviverem e prosperarem nas sombras de um mundo sobre o comando dos humanos e da sua estranha sociedade. A convivência não é fácil… Além de trabalharem para manter a sua existência escondida dos humano e lutarem entre si por ideais e objectivos distintos, os Ocultos, vivem sobre a permanente ameaça de um antiga e poderosa sociedade secreta: os Obliteradores, um grupo, de caçadores e guerreiros, cujo único objectivo é a purificação do planeta de toda a influência sobrenatural.