É possível usar o Pulsar para muito mais do que encontrar possíveis vítimas. Um vampiro experiente pode aprender a ler as emoções e intenções de um ser vivo pelos batimentos do seu coração e Gabriela, a mais nova dos três Arcanjos, é um especialista nesta arte.
Mesmo quando era humana desenvolvera um talento para ler as pessoas. Talvez o tivesse adquirido do pai, um irlandês rijo, mas com uma estranha sensibilidade para o que o rodeava que emigrou para a América no virar do século. Ou aprendera a fazê-lo nos seus tempos de corista, onde a loucura e a pobreza andaram de mãos dadas. Seja como for, tornou-se uma exímia leitora de almas.
Gabriela é um reflexo da época em que foi criada, cabelos negros cortados à garçon, pescoço alto e estrutura excessivamente magra (muita da qual devido à fome que passou). Os seus olhos são cor de azeviche e os dedos, embora finos, possuem uma grande força.
Este sentido é exclusivo dos vampiros, não existindo nada, sequer, remotamente semelhante em qualquer outra espécie. A sua funcionalidade tem como base o sangue e o seu propósito é facilitar a obtenção deste. Em termos básicos, trata-se de uma espécie de radar através do qual os vampiros localizam potenciais vítimas.
O Pulsar incorpora e sobrepõe-se aos sentidos ditos comuns. Ele permite a um filho da noite, ouvir e sentir as batidas dos corações em seu redor, assim como ver o sangue dentro de corpos, quer este esteja a correr ou estagnado, dependendo se o indivíduo em questão está morto, vivo ou morto-vivo).
Usado habilmente, o Pulsar permite:
- Detectar inimigos ou vítimas através de objectos sólidos ou na mais completa escuridão.
- Adivinhar sentimentos e intenções. Aprender a interpretar os batimentos do coração abre ao vampiro um universo de possibilidade, já que, nos mortais, quase todas as acções e pensamentos têm alguma espécie de efeito no músculo cardíaco.
- Descobrir outros Ocultos. Por exemplo: o coração de um licantropo fenrisniano, em repouso, baterá mais do que qualquer humano em iguais circunstâncias. Outra hipótese: se um vampiro vir um corpo com sangue a mexer, mas sem possuir batimento cardíaco está, quase de certeza, diante de outro filho da noite.
Claro que toda a medalha tem o seu reverso. Uma vez que o Pulsar e os sentidos normais se sobrepõem, por vezes, é difícil aos recém-criados habituarem-se a esta nova percepção do mundo. Embora a maioria se adapte relativamente bem, após umas semanas ou meses de angústia, alguns enlouquecem antes de o conseguirem...
Os vampiros, como seria de esperar em mortos-vivos, não experienciam o mundo como nós.
Não tem olfacto, o que não é difícil de entender uma vez que não respiram... O ar apenas é usado no seu corpo para proferir palavras, nada mais. Bem… isso não é exactamente verdade… Se quiserem, podem simular certos actos relacionados com a respiração, como a mecânica de fumar, porém, é essencialmente um hábito inútil, já que a não sentem qualquer efeito químico.
De qualquer modo, a falta de olfacto não lhes permite distinguir uma grande variedade de sabores, para além das diferenças entre doce, amargo, salgado e ácido, permitidas pelo paladar. Basicamente, são esses os parâmetros que usam para classificar o sangue, embora com algumas nuances que facilmente escapariam a um mortal.
A visão não é muito diferente da humana, simplesmente, estão mais habituados à escuridão, dando a ilusão que vêem melhor do que os demais em ambientes com pouca luz.
Na audição acontece algo semelhante. Uma vez que os seus ouvidos não perdem faculdades com o passar dos anos, devido às espantosas capacidades regenerativas que possuem, é fácil ficar com a impressão que eles têm audição sobre-humana.
Porém, mais impressionante é a maneira como o tacto se altera quando passam de humano para filho da noite. Embora consiga sentir pressão, a sua pele é completamente desprovido de sensibilidade ao frio ou dor. No máximo, quando estão completamente empanturrados com sangue, estas sensações manifestam-se como pequenas comichões, nada mais. Esta insensibilidade, em especial, no que diz respeito à dor, torna-os adversários temíveis.
Não obstante, existe um sexto e mais impressionante sentido a que os vampiros têm acesso. Chama-se Pulsar e é o que os converte de meros mortos-vivos em sofisticados lutadores e sedutores.
Uma das coisas que sempre me meteu confusão nas histórias de vampiros é o infindável número de fraquezas. Cruzes, estacas, luz solar, fogo, água benta, água corrente, crucifixos, sangue de homem morto, o não poderem entrar numa casa sem serem convidados, etc e por aí a fora. Quer dizer, mais vale um vampiro ficar numa redoma de vidro!
Claro que depois há o extremo oposto do espectro, uma lista de poderes que os torna estupidamente fortes! Mudar de forma, telecinese, telepatia, manipulação mental, voar, etc… Autênticos super-homens sobrenaturais (sim, é redundante).
Okay… cada autor faz o que lhe apetece. Nada contra, afinal é por isso que se chama liberdade criativa. Pessoalmente não quero que os meus vampiros sejam "franganotes" nem deuses. Por isso, vamos lá acertar uns pontos, sobre como as coisas funcionam em Crónicas Obscuras:
1º os vampiros estão mortos, por isso situações como gerarem filhos, morrerem afogados e coisas do género estão fora de questão. Eu sei, não devia ser preciso mencionar, mas houveram autores que foram por aí...
2º cruzes e outros objectos sagrados não repelem a maioria dos vampiros. Afinal, existiam vampiros muito antes do Cristianismo. O que pode acontecer é certos indivíduo terem razões psicológicas particular para se sentiram repelidos por esses símbolos. Por exemplo, indivíduos que eram particularmente religiosos antes de serem transformados e depois se afastaram deliberada e traumaticamente dos seus princípios.
3º dormir de dia só é um hábito nos primeiros anos, quando os novatos ainda não se habituaram a estar acordados vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Outras ocasiões para um vampiro dormir é desejar poupar energia ou passar algumas décadas sem interagir com o mundo, nesse caso a “soneca” é mais semelhante a hibernação e chama-se Torpor. Em qualquer dos casos o caixão é completamente opcional.
4º estacas são inúteis, a não ser que sejam usadas para retirar todo o sangue do seu corpo, altura em que entrará automaticamente em Torpor.
5º luz solar não os mata, mas magoa-os seriamente, na verdade é das poucas coisas que lhes causa dor, nomeadamente, nos olhos, cegando-os e desactivando-lhe o Pulsar (um sentido vampírico que falarei mais à frente).
6º fogo danifica um vampiro, porém, regra geral, não o mata. A não ser que o vampiro seja exposto a ele durante tempo e temperatura suficiente, para ser destruído a nível celular, contudo, devido aos poderes de regeneração que possuem isso é muito difícil.
Em suma, em Crónicas Obscuras, só existe uma maneira de matar um vampiro, separar a cabeça do corpo. Se isso acontecer o vampiro sofrerá, em segundos, o tipo de danos que o seu cadáver devia ter sofrido aquando da transformação, ou seja, dependendo do tempo que passou desde essa altura, tanto se pode tornar num esqueleto, corpo em decomposição ou pó.