Pages

Showing posts with label Fórum Fantástico. Show all posts
Showing posts with label Fórum Fantástico. Show all posts

Tuesday, January 24, 2012

FF 2011 – Fall out: Homossexualidade

  Este texto foi feito no rescaldo do Fórum Fantástico 2011 e deixado na gaveta (ou no armário?) porque na altura preferi explorar "Behind the Scenes: Influências". Um debate com uma colega fez-me repescá-lo.
  No decorrer da apresentação “Os Sexos na Literatura Fantástica”, durante o Fórum Fantástico 2011, uma das questões abordadas foi a aparente ausência de personagens homossexuais nos livros analisados (sublinhe-se “aparente”, mas isso é outra guerra).

  Contrariamente a alguns espectadores isto não me causou surpresa, pois tenho consciência que lidamos com livros, não catálogos da Benetton imbuídos da necessidade patológica satisfazer o politicamente-correcto, representando todo o espectro da Humanidade. Um livro pode não ter personagens homossexuais, pelo mesmo motivo que não tem gente de todas as raças e credos, porque elas seriam supérfluas, ou mesmo ilógicas, para a estória em questão.

  Em segundo lugar, não acho que seja verdade. Muitos livros do género fantástico têm personagens homossexuais. Verdade, em menos quantidade que as heterossexuais e em alguns casos essa classificação não é aceite por todos, contudo, isso não é a mesma coisa que dizer que elas não existem. Um dos casos mais famosos é Albus Dumbledore, cuja sexualidade nunca é discutida nos livros (porque o seria?), mas a própria J. K. Rowling admitiu que na concepção da personagem sempre o considerou homossexual.

  “Ó Vitor, isso foi só um golpe publicitário, com certeza!” Talvez, sim. Aliás, é bem provável que assim seja.

  Mas a questão aqui não é a veracidade da alegada homossexualidade, mas a irrelevância da sexualidade da referida personagem para a narrativa em questão. Se preferirem outro exemplo: a bissexualidade de diversas personagens (que me lembre, assim de repente, pelo menos seis) de “A Saga dos Otori” por Lian Hearn, pouco ou nenhum peso tem no percurso dos eventos narrados. Claro que, por outro lado, também existem casos do oposto, nomeadamente, na saga “Sevenwaters” de Juliet Marillier, onde a homossexualidade de uma personagem (não direi qual para evitar spoilers, mas os fãs sabe de quem estou a falar) não conduz a narrativa, mas dá pequenos “toques” nela.     

  Não quero fazer deste post uma mera listagem de livros de fantasia e ficção científica onde surgem ou deixam de surgir personagens homossexuais (até porque isso levaria a muito outros debates e se quiserem entrar por aí, é para isso que servem aos comentários), por isso, limitar-me-ei a indicar que elas existe e que, muitas vezes, apenas não o notamos com mais clareza porque os autores não querem fazer um grande alarido da questão. Porque é que o fariam? A não ser que a estória em si seja concebida para levar a uma reflexão sobre o tema, a sexualidade da personagem é apenas uma entre várias características. Acho que ninguém quer ler sobre uma personagem tão bidimensional que a homossexualidade seja a sua única característica. Aliás, na minha opinião, um autor que use tal personagem, só para dizer que o fez, está apenas a perpetuar um estereótipo e não a representar uma comunidade.

  Referido o tema, parece-me lógico que tenho de aproveitar para abordar a questão no âmbito de Crónicas Obscuras. Assim sendo, no próximo post, 26 de Janeiro de 2012: “Sexualidade em Crónicas Obscuras”
      

Saturday, November 19, 2011

Fórum Fantástico 2011

 Eu sei, é um pouco prematuro fazer um post sobre o Fórum Fantástico 2011 enquanto ele ainda está a decorrer, porém, tendo em conta que só pude ir na Sexta...


 A primeira vez que vi o programa deste ano, fiquei com a impressão que não satisfaria os meus gostos como o do ano passado, algo que se confirmou. Todavia, isto não quer dizer que as intervenções fossem de qualidade inferior ou que não me tenham interessado.

 O Fórum abriu com "Projecto Trëma", ao cargo de Rogério Ribeiro e Sofia Vilarigues, durante a qual foi dado uma actualização sobre o estado do dito. Além de garantirem que o projecto terá um produto final em papel (independentemente do formato), os apresentadores revelaram a intenção de promover oficinas da escrita, mensalmente, na biblioteca de Telheiras (para mais pormenores teremos de esperar...).


Seguiram-se:

 - “Literatura Fantástica Portuguesa – Edição e Comunidade”, cujo painel incluiu António de Macedo, Rogério Ribeiro e Luís Filipe Silva. Nesta apresentação, além de nos ter sido pintado um quadro sobre a mudanças que o meio sofreu, tanto a nível da relação autor/editora, como na “comunidade” em si, tivemos o bónus de um pequeno esclarecimento sobre o que o Novo Acordo Ortográfico significará para os autores. Resumindo uma questão muito mais complexa, no que diz respeito à legislação nada obriga os autores a aceitarem o Novo Acordo, contudo, dos editores também têm alguma liberdade para alterarem o texto para ficar em acordo com o Acordo, não sendo isto considerado deturpar. Solução apontada para esta questão: negociação. O editor e o autor têm de procurar uma solução que agrade ambos. 

 Isto de ninguém ser obrigado é muito bonito, mas todos sabemos que essa liberdade é ilusória, dependendo em exclusivo do “poder/influência” do autor. Alguém que já tenha um determinado peso no meio, poderá fincar pé, por seu lado, o peixe miúdo pode tentá-lo, mas sujeita-se a ouvir um “Ah quer escrever assim? Então vá fazê-lo para outra editora.”   

 - “Eternauta: Germano Facetti e a nova imagem da ficção científica nos anos 60” por Pedro Marques, um apresentação sobre capas de ficção científica na mesma linha dos textos que o designer gráfico tem publicado na Revista Bang!. Embora o rigor necessário tenha tornado a apresentação um pouco mais pesada que as anteriores, também suscitou curiosidade.

 - “Ensinar Ficção Científica”, com Jorge Rosas e João Lin Yun, moderado por Rogério Ribeiro. O evento abordou tanto o ensino das temáticas sociais abordadas pela Ficção Científica, como o uso desta como ferramenta para ensinar as ditas “ciências puras e duras”. Embora as demais apresentações também tenham beneficiado da interacção com o público, na minha opinião, esta e a seguinte foram as que o fizeram melhor. 

 - “Os Sexos na Literatura Fantástica”, painel que incluiu Madalena Santos, Bruno Martins Soares e Pedro Ventura, tendo sido moderado por Daniel Cardoso. Usando uma análise da primeira obra de Madalena Santos, Bruno Martins Soares e da última de Pedro Ventura, Daniel Cardoso fez um apanhado das características do modo como as protagonistas femininas são apresentadas. Como é óbvio, as conclusões e o debate que elas geraram são demasiado extensas para colocar aqui, por isso, não me alongarei, direi apenas que foi a apresentação que mais me interessou (como calculei que seria, tendo em conta o tema).

 Além das apresentações, para mim, o Fórum Fantástico é das poucas oportunidades de falar cara a cara com leitores e escritores com os quais apenas comunico via Facebook. Como imaginam, todo o tempo é pouco…

Tuesday, November 23, 2010

Opiniões: Bang! nº8 – “Legolas: rói-te de inveja (o nascimento de uma lenda)” por R. A. Salvatore

Mais do que uma oportunidade de sermos apresentados ao elfo negro Drizzt Do’Urden, criado por R. A. Salvatore em 1987, este texto dá-nos a conhecer um pouco sobre o processo criativo do autor.

Gostei, particularmente, de constatar que Salvatore tem a mesma relação com a sua personagem, que eu desenvolvi com as minhas (imagino que a maioria dos autores partilhem tal ligação). Refiro-me ao facto de sermos os seus criadores, mas não os seus mestres. A partir do momento em que é concebida e a sua personalidade definida, uma personagem ganha um certo nível de autonomia que deve ser respeitado (tema que acaba por relacionar-se com o que foi dito por Peter V. Brett, na sua intervenção “Characters and Characterization”, no decorrer do 5º Fórum Fantástico).

Sunday, November 14, 2010

No Fórum...

Apesar de minha estadia no Fórum Fantástico ter sido curta, foi definitivamente compensadora (verdade seja dita, depois de congressos de arqueologia, tudo o que seja minimamente civilizado é bom...).

Não posso falar por terceiros, mas para mim esta convenção valeu pela oportunidade rara (senão única) de ouvir determinados autores, tanto nacionais como estrangeiros, exporem a suas perspectivas sobre o processo criativo. Percepção esta, condicionada pelas 3 palestras que assisti sobre A Mecânica da Escrita Fantástica, nomeadamente: “Worldbuilding”, por Ricardo Pinto; “Invented Technology and Atmosphere”, por Stephen Hunt e “Characters and Characterization”, por Peter V. Brett. Embora em moldes mais complexos, as intervenções vincaram a importância da consistência e as vantagens da planificação cuidada de um livro, em oposição à escrita livre, apesar dos autores reconhecerem o valor desta última.  

Além destas três intervenções, apenas assisti a:

“Fórum Fantástico: 5 anos, e agora?”, à conversa com Rogério Ribeiro e Safaa Dib. Neste pequeno diálogo falou-se um pouco sobre a origem e percurso do Fórum Fantástico, caminho que, como é habitual, não foi exactamente fácil, confirmando a velha premissa de “quem quer bolota, que a trepe”. Apesar das dificuldades enfrentadas, fiquei satisfeito ao percepcionar que o Fórum parece fortalecer-se e consolidar-se de ano para anos. Aliás ficam desde já avisados que o 6º Fórum Fantástico está marcado para os dias 11, 12 e 13 de Novembro de 2011, mais, os organizadores estão ansiosos para ouvirem as vossas propostas.   

Por fim, vi o “Painel «Lisboa Fantástica», moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos”, que abordou o potencial desta cidade, pré e pós-terramoto, como cenário para narrativas. Em suma, foi um boa experiência e para o ano lá estarei.

Friday, November 12, 2010

Aviso à população - Fórum Fantástico

É já hoje às 14h30 que se iniciará o Fórum Fantástico, na Biblioteca Municipal de Telheiras.

Infelizmente, para mim, só poderei ir lá amanhã, Sábado… Com isto em mente, aqui ficam alguns avisos para a angry mob que me receberá em Olissipo:

- 1º, tragam fruta podre. Não sei se já levaram com um pedaço de fruta verde, mas acreditem não é nada agradável.

- 2º, respect the classics. Se vão ser uma angry mob façam a coisa bem feita, equipem-se com forquilhas, archotes, foices e uma vassoura. Nada de andar por aí com modernices, como tacos de basebol, tábuas com pregos e afins.

- 3º, não ataquem pela calada. Angry mob que é angry mob faz sentir a sua presença com muito barulho.

- 4º, not in the face, please.