Esta é uma pergunta complicada de responder, uma vez que fazê-lo pode implicar vários spoilers… Regra geral, refiro apenas que existem vários géneros de fantasmas com forte potencial literário.
Ao longo da minha pesquisa, seleccionei qualquer coisa como 120 potenciais espécies de Ocultos. Serão todas elas utilizadas? Veremos.
Embora a maioria dos clãs não possua rituais fúnebres, os lobisomens veneram os seus mortos, particularmente aqueles que precisam de apaziguamento.
De acordo com crenças licantropas, o espírito de um ente querido por vingar fica preso àqueles que amara, atormentando-os com horríveis pesadelos ou mesmo alucinações.
Entre os humanos, tal tormento poderia ser parado destruído o restos mortais do fantasma, quebrando assim a ligação ao plano terreno, ou exorcizando-o, porém, segundo os lobisomens, para eles, tais solução são inúteis. Na sua cultura, ao nutri qualquer espécie de afecto por outrem, deixamos um pouco da nossa própria Energia Vital no indivíduo, uma espécie de "impressão digital espiritual" que não pode ser apagada e que faz as vezes dos restos mortais, permitindo ao fantasma permanecer ancorado no plano terreno. Assim, de acordo com os lobos, para libertar o espírito é preciso eliminar aquele que o assassinou, dando-lhe a justiça que deseja.
És verdade? “Colar-se-ão” estes espíritos aos seus antes queridos ou terão os pesadelos e alucinações uma origem menos mística e mais psicológica? Independentemente da resposta, vingar os mortos continua a ser um importante acto religioso e social para os licantropos.
Embora historicamente necromancia seja a arte de invocar os mortos para através deles fazer adivinhações, em anos mais recentes a cultura popular tem incluindo nela a capacidade de controlar os mortos de modo a levá-los a interferir no mundo físico.
Crónicas Obscuras segue a tendência mais recente e os motivos para essa opção são simples:
1 – é muito mais apelativa literariamente.
2 – a habitual mitologia necromante não coincide com o universo de Crónicas Obscuras. Passo a explicar, o princípio base atrás da chamemos-lhe "necromancia clássica" é que os após a morte os espíritos deambulam numa espécie de mercado ou praça sobrenatural onde falam uns com os outros, podendo aceder a informações para lá do espaço e do tempo, ora em Crónicas Obscuras, os mortos, nomeadamente, os fantasmas, são espíritos que ficaram presos no plano terreno, pelos mais diversos motivos, alma atormentadas que não perdem tempo a socializar.
São fantasmas de humanos afogados, aprisionados no elemento que os matou, possuindo uma apetência especial para arrastar tudo o que mexe para as profundezas. Normalmente, tal como relatam as lendas escandinavas, estas criaturas tendem a surgir associadas a pântanos e lagos, uma vez que confinados tornam-se mais agressivos. No mar, livre para vaguearem pelo mundo, a sua belicosidade é diluída.
Tal como a maioria dos fantasmas, são incorpóreos e invisíveis a não ser quando atacam os vivos, precisando de materializarem-se para o fazer. Nessa altura mostram o seu verdadeiro aspecto, pele putrefacta branca azulada, rostos inchados de órbitas vazias e bocas abertas em permanentes gritos silenciosos, clamores esses que apenas desejam acalmar com a dor de outros. A sua única fraqueza é o ferro.
Topielec (singular de topielce), embora este seja um pouco mais bonitinho que os descritos.